Entre os Manuscritos do Mar Morto, 7Q5 é a designação de um pequeno fragmento de papiro grego descoberto na Caverna de Qumran 7 e datado de antes que alguém alegasse ser capaz de identificá-lo por seu estilo de escrita como provavelmente tendo sido escrito entre 50 a.C. e 50 d.C. O significado deste fragmento deriva de um argumento feito pelo papirólogo espanhol José O'Callaghan na sua obra "¿Papiros neotestamentarios en la cueva 7 de Qumrân?" ("New Testament Papyri in Cave 7 at Qumran?") em 1972, mais tarde reafirmado e expandido pelo estudioso alemão Carsten Peter Thiede na sua obra "The Earliest Gospel Manuscript?" em 1982. A afirmação é que o 7Q5, anteriormente não identificado, é na realidade um fragmento do Evangelho de Marcos, capítulo 6 versículo 52-53. Alguns estudiosos não foram convencidos pela identificação de O'Callaghan e Thiede, insistindo que é "agora virtualmente rejeitada universalmente". Mais recentemente, outros estudiosos afirmam que a identificação de O'Callaghan do 7Q5 é amplamente aceita como correta (Wikipédia, tradução nossa).
Se a datação do fragmento 7Q5 estiver correta e se realmente se tratar de um trecho do Evangelho Segundo Marcos, podemos fazer quatro deduções:
- Ele passa a ser o manuscrito mais antigo já encontrado do NT, sendo anterior ao P52, que fica em segundo lugar;
- Reforça ainda mais a hipótese de Marcos ser anterior a Mateus, como diversos estudiosos já têm afirmado;
- Dá mais força à Primazia Grega, teoria que diz que os textos originais dos evangelhos canônicos foram escritos em grego, não em hebraico, nem siríaco, nem aramaico;
- Com essa datação, Marcos foi escrito por um contemporâneo de Jesus que pode inclusive ter sido uma testemunha ocular.